Neuralgia pós herpética
A Neuralgia Pós-Herpética é uma forma de dor neuropática crônica que pode surgir após um episódio de herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro. O herpes-zóster ocorre pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora, e se manifesta por lesões cutâneas em vesículas, geralmente muito dolorosas, que seguem um dermátomo, ou seja, um trajeto de um nervo específico.
A região mais acometidas é o tórax, mas a também pode ocorrer em dermátomos cervicais, lombares ou até mesmo a face. Como o vírus afeta diretamente os nervos, mesmo após a cicatrização das lesões na pele, pode permanecer uma dor persistente e intensa, resultado da lesão e da sensibilização do sistema nervoso, caracterizando então a neuralgia pós-herpética.
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver essa condição, como idade mais avançada, história familiar e situações que comprometem o sistema imunológico, incluindo infecção pelo HIV, doenças oncológicas, doenças reumatológicas e outros estados de imunossupressão.


Os sintomas da neuralgia pós-herpética variam em intensidade, mas costumam incluir:
Dor em queimação, ardor ou choque
Dor geralmente no mesmo local do herpes-zóster
Alodinia (dor como estímulos que não deveriam causar dor, por exemplo ao toque leve da roupa)
Hiperalgesia (resposta exagerada à dor)
Alterações do sono, humor e limitação funcional devido à dor persistente
A dor costuma respeitar um dermátomo, ou seja, a área de pele inervada pelo nervo afetado.
O diagnóstico é clínico, baseado em:
Histórico prévio de herpes-zóster
Avaliação clínica e exame físico, incluindo persistência da dor por mais de 3 meses após a resolução das lesões cutâneas
Na maioria dos casos, exames complementares não são necessários. Eles podem ser solicitados apenas para descartar outras causas de dor neuropática ou em apresentações atípicas.
Sintomas
Diagnóstico e exames complementares


O tratamento da Neuralgia Pós-Herpética deve ser multimodal e individualizado, com foco em reduzir a dor, melhorar a função e recuperar a qualidade de vida.
Os tratamentos medicamentosos podem incluir:
Anticonvulsivantes como gabapentina, pregabalina.
Antidepressivos como amitriptilina, venlafaxina e duloxetina.
Tratamentos locais, como emplastros de lidocaína ou formulações tópicas de amitriptilina e lidocaína.
O tratamento não medicamentoso pode incluir:
Eletroacupuntura: associa estímulo elétrico aos pontos de acupuntura, potencializa o efeito analgésico, atuando na modulação das vias centrais e periféricas da dor, sendo especialmente útil em dores neuropáticas, como a neuralgia pós-herpética.
Toxina botulínica (botox): opção terapêutica segura e eficaz para pacientes com neuralgia pós-herpética refratária aos tratamentos convencionais. As aplicações costumam ser realizadas inicialmente em intervalos mensais e, após estabilização dos sintomas, podem ser espaçadas para aplicações trimestrais.
Estratégias de dessensibilização: são técnicas simples e graduais como o contato progressivo da pele com tecidos de diferentes texturas. Esses estímulos ajudam o sistema nervoso a reduzir a resposta exagerada ao toque, muito comum na neuralgia pós-herpética.
Importância da vacina
Como tratar?
A vacinação é a principal forma de prevenção do herpes-zóster e, consequentemente, da neuralgia pós-herpética. A vacina recombinante Shingrix é atualmente a mais eficaz disponível, sendo segura também para pessoas imunossuprimidas.
A Shingrix reduz de forma significativa o risco de desenvolver herpes-zóster e neuralgia pós-herpética. É recomendada para todos os adultos a partir de 50 anos e para pessoas imunossuprimidas, mesmo aquelas que já tiveram herpes-zóster anteriormente.
A prevenção é especialmente importante porque, uma vez instalada, a neuralgia pós-herpética pode ser difícil de tratar e impactar de forma importante a qualidade de vida! Sempre converse com seu médico sobre a indicação da vacina no seu caso.
Referências
Pei W, Zeng J, Lu L, et al. Is acupuncture an effective postherpetic neuralgia treatment? A systematic review and meta-analysis. Journal of Pain Research. 2019;12:2155–2165.
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Wang H, Lin P. Efficacy and safety of subcutaneous injection of botulinum toxin in the treatment of postherpetic neuralgia compared to analgesics: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Neurology. 2024.
Tseng HF, Bruxvoort K, Ackerson B, Luo Y, Tanenbaum HC, Tian Y, et al.Recombinant zoster vaccine effectiveness against herpes zoster and postherpetic neuralgia in older adults. Clin Infect Dis. 2021;73(6):e1188–e1197. doi:10.1093/cid/ciaa1223.
Quanto antes iniciar o tratamento, melhor o resultado!
O cuidado começa mesmo na infecção aguda por herpes-zóster, devendo ser adequadamente tratada para evitar desenvolvimento de dor crônica! Quanto melhor for tratada a sua dor durante e logo após a infecção, melhores serão os resultados.
Aqui você será acolhido, com avaliação médica completa, rastreio de fatores de risco e uma proposta terapêutica construída em conjunto, que pode incluir:
Tratamento medicamentoso
Eletroacupuntura que pode ser associada ao tratamento medicamentoso, sendo uma técnica praticamente sem efeitos colaterais
Aplicações de toxina botulínica em casos de falha do tratamento convencional ou intolerância às medicações
O objetivo do tratamento vai além de controlar a dor, mas devolver a você uma vida em que a dor não seja uma limitação.


