CEFALEIA TENSIONAL

A cefaleia tensional é a causa mais frequente de cefaleia primária (ou seja, dor de cabeça não causada por outra doença estrutural). Ela está relacionada a mecanismos de sensibilização central, tensão muscular e alterações na modulação da dor.

Ela pode ser:

  • Episódica (menos de 15 dias por mês)

  • Crônica (15 dias ou mais por mês, por pelo menos 3 meses)

Quais são os sintomas mais comuns?

A cefaleia tensional costuma ter algumas características bem típicas:

  • Dor em pressão ou aperto (não pulsátil)

  • Intensidade leve a moderada

  • Geralmente bilateral

  • Pode vir associada a tensão em musculatura da face ou do pescoço

  • Pode durar de horas a dias

Diferente da enxaqueca, a cefaleia tensional não piora com atividade física rotineira e também não costuma ser associada a náuseas intensas ou vômitos.

Muitas pacientes descrevem como: “Não é uma dor incapacitante, mas está sempre ali.” Mas precisamos olhar com atenção: dor frequente, mesmo que leve ou moderada, não deve ser normalizada!

O diagnóstico da enxaqueca é clínico, baseado na história detalhada do paciente e nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3).

Exames de imagem não são obrigatórios para o diagnóstico, mas podem ser solicitados em situações específicas, especialmente se sinais de alarme como:

  • Mudança no padrão da dor

  • Dor súbita, descrita como "pior dor da vida"

  • Início da dor após 50 anos de idade

  • Sinais neurológicos associados

  • Associadas a sintomas sistêmicos como febre, vômitos em jato, papiledema, crises epilépticas, alteração da consciência

Nesses casos, podem ser indicados ressonância magnética ou outros exames conforme avaliação médica.

Sintomas

Diagnóstico e exames complementares

A Medicina da Dor olha para além do sintoma isolado.

O tratamento pode incluir:

  • Uso racional de medicações para crises 

  • Ajuste ou introdução de medicação preventiva

  • Estratégias para evitar abuso de analgésicos

  • Liberação miofascial ou infiltração de pontos gatilho

  • Técnicas intervencionistas como bloqueios ou injeção de toxina botulínica

  • Abordagens não medicamentosas baseadas em evidência (acupuntura, neuromodulação, terapia, exercícios...)

Acupuntura pode ajudar?

Como tratar?

A acupuntura tem evidência consistente no tratamento da cefaleia tensional, especialmente na forma crônica.

Uma revisão sistemática da Cochrane (Linde et al., 2016) mostrou que a acupuntura é superior ao tratamento habitual isolado e pode reduzir significativamente a frequência das crises. As diretrizes da European Academy of Neurology (2020) também reconhecem a acupuntura como opção terapêutica para prevenção da cefaleia tensional.

Os mecanismos envolvidos incluem:

  • Modulação descendente da dor

  • Redução da sensibilização central

  • Liberação de neurotransmissores analgésicos

  • Relaxamento da musculatura

  • Regulação de estresse e sono

Na prática clínica, observamos melhora não apenas da frequência da dor, mas também do humor, do sono e da percepção global de bem-estar.

Referências

  1. Headache Classification Committee of the International Headache Society. The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (ICHD-3). Cephalalgia, 2018.

  2. Linde K, Allais G, Brinkhaus B, et al. Acupuncture for the prevention of tension-type headache. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2016.

  3. Bendtsen L, Sacco S, Ashina M, et al. European Academy of Neurology guideline on the treatment of tension-type headache. European Journal of Neurology, 2020.

  4. UpToDate. Tension-type headache in adults: Epidemiology, etiology, clinical features, and diagnosis. UpToDate, 2024.

Um tratamento para além de "controlar as crises"

O cuidado começa pelo entendimento profundo da sua história, dos seus gatilhos, da frequência das dores e de como essa dor impacta a sua vida. Minha missão é ajudar você a retomar a sua rotina, sua autonomia e sua qualidade de vida, para que a dor deixe de ser o centro da sua vida.

Aqui você será acolhido, com avaliação médica completa, rastreio de fatores associados e uma proposta terapêutica construída em conjunto, que pode incluir:

  • Tratamento medicamentoso, tanto para crises quanto para prevenção, quando indicado

  • Acupuntura e outras estratégias para modulação da dor e redução da frequência das crises

  • Bloqueios como bloqueio de nervos occipitais ou protocolo com uso de toxina botulínia são opções na falha do tratamento com medicamentos ou para pacientes que não toleram as medicações.

  • Orientações sobre estilo de vida.

O objetivo do tratamento não é apenas ter menos dor, mas devolver a você uma vida em que a dor de cabeça não seja uma limitação.